Olhar as pessoas como um animal olha
No momento exacto em que senti, a minha sempre Maria, morta tive noção clara da minha pequenez, perante ela. Senti-me tão imperfeita que percebi que a Maria iria continuar presente em mim, não pelo passado, mas pelo que me iria ensinar nos dias todos a seguir a ter partido. A Maria nunca atropelou o meu estado de espírito. Dei com ela, vezes sem conta, a observar-me e a posicionar-se perante mim, conforme estava triste ou alegre. Quantas vezes, fazemos isto uns com os outros? Ficar de mansinho quando alguém precisa de silêncio, ou abraçar o entusiasmo de um dia feliz que alguém está a viver? O olhar dela atingiu-me sempre até ao mais profundo que acho que se consegue ir. Senti-me mais vastamente conhecida por ela do que por qualquer pessoa, por mais palavras que tenhamos trocado. Olhar as pessoas como um animal olha! Ser um animal também, que o somos, quer o percebamos ou não.
O Fio de Luz ganhou mais um lugar de embalo onde os velhos sábios se juntam e novos jardins florescem. É ali que procuro “ouvir” o Coração dela falar comigo a ensinar-me a Grandeza que lhe vi e quiçá, um dia, sentir-me digna de voltar a ter um animal como a minha sempre Maria.